domingo, 17 de janeiro de 2016

“CAMINHANDO POR MANAUS” – O CENTRO HISTÓRICO – PARTE IV


APRESENTAÇÃO

Este livreto não se propõe a ser um documento de registro histórico, mas sim um instrumento de efetiva utilidade para o turista mais exigente e minucioso, que deseje conhecer Manaus mais intimamente, percorrendo a pé seus becos, ruas e avenidas.  São ao todo cinco roteiros, cuidadosamente elaborados por Thérèse Aubreton - uma francesa residente em Manaus e radicada no Brasil há anos, professora de história e agente de viagens. Seus olhos e caneta captaram e registraram tudo o que aqui pode ser desfrutado. A pesquisadora não se limitou a consultar livros e documentos. Os cinco roteiros a pé foram atentamente feitos e refeitos, tendo sido anotados cada detalhe pitoresco, cada aspecto curioso. Aspectos relevantes da nossa história, arquitetura, hábitos e costumes, regionalismos, etc., foram registrados. A Sra. Aubreton foi até mesmo à França, com o objetivo de estudar, comparar e comprovar semelhanças e dados, fundamentando melhor ainda aquilo que a FUMTUR  lhe havia encomendado. O resultado está aí, para o conforto e melhor aproveitamento da estada de nossos turistas. Esta publicação da Prefeitura de Manaus, através da Fundação Municipal de Turismo - FUMTUR,  pretende ser o início de outros relatos e registros para uso turístico.
Manaus, Agosto, 1996

ROTEIRO 4

Nossa caminhada começa na Rua dos Barés, bem em frente ao portão principal do Mercado Municipal, Os Barés, que emprestaram seu nome à rua, eram índios que habitavam  a região do Rio Negro e que desapareceram após a invasão
dos portugueses.



O MERCADO MUNICIPAL "ADOLPHO LISBOA"

O Mercado Municipal é um dos lugares mais animados de Manaus, especialmente pela parte da manhã. Em 1855, no mesmo local, já existia uma feira chamada de " Ribeira dos Comestíveis". A edificação do corpo central do mercado foi iniciada em 1 883 pela firma BAKUS & BRISBIN, sediada em Belém, Pará. Trata-se do segundo
mercado com esse tipo de edificação a ser montado no Brasil. A parte mais antiga está indicada na planta como "pavilhão central".
Naquela época o mercado consistia de um simples pavilhão de 45 m, de comprimento por 42 m. de largura. Era um tipo de armazém, aberto nas laterais, que contava com duas salas principais e 20 "boxes" separados por grades, com balcões de madeira coberta de mármore.
Em 1897, o superintendente municipal Adolpho Lisboa fez um relatório sobre o mercado, em que reportava às lamentáveis condições em que se encontrava, tanto no aspecto arquitetônico, quanto na questão da higiene.


Iniciaram-se obras de melhoramento e passados alguns anos foram edificados os dois pavilhões de ferro que ladeiam o armazém central,com base em alvenaria,
suportados por colunas importadas da Escócia e frontões curvos ornamentados com vidro colorido, no estilo do "Les Halles", de Paris. Essas edificações datam do início do século (uma foto de 1899 mostra que naquela época ainda não existiam) e abrigaram desde o seu início o comércio de peixes à esquerda e o de carnes à direita.
A fachada do prédio, datada de 1906, como atesta o medalhão existente no rendilhado de ferro acima do portão principal, originalmente pintada em cores diversas, é obra de Filintho Santoro, que realizou vários outros trabalhos na Cidade. Considerando tratar-se de um mercado o conjunto é bastante trabalhado. O estilo da construção é eclético. No primeiro pavimento sobressai-se um grande portão central, ladeado por janelas de vergas retas coroadas por frontões triangulares. No segundo, veem-se dois pares de janelas geminadas, que lembram a idade média. Dois prédios laterais, em estilo idêntico,  simetricamente dispostos, prolongam a fachada, que se impõe pelo seu tamanho.
O Mercado Municipal, a exemplo de tantos outros empreendimentos da época da borracha, foi administrado durante muitos anos pela firma inglesa " THE MANAOS MARKETS AND SLAUGHTERHOUSE LIMITED",
Em 1924, com o término do contrato de arrendamento, o Governador Ribeiro Júnior incorpora o complexo ao patrimônio do município.
Antes de penetrar no interior do mercado percorra de um lado ao outro a fachada principal e observe atentamente os dois pavilhões de ferro.




 O PAVILHÃO CENTRAL

Logo à entrada observe o teto e sua original abóbada de berço, isto é, semicircular, interrompida ao meio com o escudo de Manaus.
Dentro do pavilhão veem-se as colunas, importadas de Liverpool, na Inglaterra, e fabricadas pela firma FRANCIS MORTON, a mesma que elaborou as colunas de ferro que existem no coreto da Praça Dom Pedro II, próxima à Prefeitura.
Acima do portão observa-se uma tribuna com arcos plenos, Trata-se de um acontecimento arquitetônico inesperado para um mercado.
Neste pavilhão encontram-se os compartimentos de estivas e artesanato, que são de construção mais recente. Nos "boxes" de estivas concentram-se os produtos de base consumidos pelos amazonenses - vários tipos de farinha de mandioca, feijões, carne seca, grãos diversos,  etc..
Nos setores de artesanato vê-se um pouco de tudo, desde os objetos de uso da população local (cuias, remos, peneiras, paneiros, chapéus de palha, etc.), até os souvenirs tão procurados pelos turistas e visitantes em geral (colares indígenas, objetos diversos em madeira e cerâmica, camisetas, etc.). Existem algumas peças de origem indígena. Muitas, todavia, não passam de imitação, portanto, observe antes de adquiri-las.
Em todas as direções, no pavilhão e suas laterais, veem-se também os vendedores de frutas, legumes e verduras. Dependendo da época do ano é possível encontrar-se no local  frutas regionais deliciosas como o cupuaçu, a graviola, o jambo (originário da Ásia), o jenipapo (também usado pelos índios para pintarem os corpos na cor preta), o tucumã, a pupunha e inumeráveis outras, especialmente provenientes de palmeiras.
Ao fundo um lugar merece atenção muito particular - é o local onde são comercializadas as plantas medicinais da Amazônia.  Sob a forma de óleo, ou casca de madeira, ou folhas desidratadas, ou raízes e sementes, elas são bastante procuradas pelos manauaras e cada vez mais pela farmacopeia nacional e internacional.
Nessa parte do mercado chamam a atenção os enormes recipientes contendo um sumo de cor amarela e de cheiro também inusitado. Trata-se do  famoso "tucupi", extraído da raiz da mandioca, muito utilizado pela cozinha regional no cozimento de peixes e na preparação de molho de pimenta forte. O " tucupi " é normalmente vendido acondicionado em garrafas de todos os tamanhos. Oriundo de Belém, Pará, faz também parte da gastronomia amazonense o famoso "pato no tucupi".
Saia do pavilhão central e entre nos pavilhões laterais, fabricados em ferro. Trata-se de obra da firma escocesa WALTER  MAC FARLANE, de Glasgow. Essa firma produzia e exportava artefatos diversos e até edifícios inteiros elaborados em ferro. Para tanto possuía um catálogo com modelos de prédios em estilos variados (o "Illustrated Catalogue of MacFarlane Castings"). Assim, os clientes podiam comprar à distância e receber as peças pré-fabricadas nos ateliês da Escócia. Para a época uma maneira bem moderna de trabalhar...



 O PAVILHÃO DE PEIXES

Aqui encontram-se os principais tipos de pescado da região;
_· O Tucunaré, facilmente reconhecível graças a um desenho em forma de olho localizado na altura do rabo, O caldo do peixe (chamado caldeirada) é simplesmente delicioso.
_· O Tambaqui, enorme peixe, com os dentes parecidos com os de carneiro, que se alimenta basicamente de frutas. Excelente em grelhados.
_· O Pirarucu, peixe gigante de escamas, com carne semelhante a do bacalhau, consumido fresco ou salgado. Preparado das mais diversas maneiras. Suas resistentes escamas servem como lixa de unhas,
_· O Jaraqui, peixe popular de rabo listrado. Diz-se, popularmente, que o forasteiro que comer sua carne não conseguirá separar-se de Manaus.
_· A Matrinxã, a Pescada, a Sardinha, o Pacu, e tantos outros.



 O PAVILHÃO DE CARNES

É uma cópia arquitetônica do Pavilhão de Peixes. O cheiro exalado é forte. Visite-o, caso deseje.
Saia, agora, pela parte de trás do mercado, e observe os três edifícios de ferro, num estilo semelhante aos pavilhões anteriormente vistos. O prédio central, que hoje abriga lanchonetes e restaurantes populares, era no início do século o "Pavilhão das Tartarugas". Datado de 1909, é fechado com chapas de ferro e venezianas fabricadas em ferro e vidro. A cobertura é feita com chapas metálicas onduladas formando um pequeno frontão nas entradas. Essas partes possuem elementos decorativos em ferro fundido e vidro colorido. Acima do teto notam-se lambrequins metálicos.
De cada lado veem-se dois pequenos edifícios de forma octogonal, que serviam no início do século de posto de fiscalização dos produtos que chegavam ao mercado vindos do interior do estado. Em suas bases existem decorações em arabescos, muito parecidas com aquelas dos catálogos da firma MacFarlane, de Glasgow, que provavelmente foram encomendadas da Escócia.
Destaque-se a presença de dois lampadários antigos que ladeiam os pavilhões.
Os desenhos do edifício à esquerda estão bastante desgastados pelo tempo. Os do prédio à direita, todavia, ainda mostram a delicadeza do traçado. No teto, que tem cobertura em formato de escamas, existem artefatos de metal com desenhos simétricos e uma coroa.
Antes de sair do mercado observe cuidadosamente a fachada localizada de frente para o rio Negro,  construída em estilo gótico e identificada por várias placas metálicas que indicam sua origem - "Mercado Público - 1882 - Na Administração do Exmo. Sr. Dr. Alarico Jozé Furtado".
É interessante essa mistura do estilo medieval com o modernismo da arquitetura de metal.
As duas partes salientes de cada lado da fachada servem de banheiro público.
Terminada a visita à área do mercado atravesse a rua e caminhe em direção ao Rio Negro. Lá do calçadão abrange-se uma vista privilegiada: à frente os barcos pesqueiros e o Porto de Manaus logo à direita. Há alguns anos as águas do rio Negro chegavam a tocar os paredões do mercado. Com a urbanização da área o rio agora situa-se alguns metros à frente, Durante os meses de enchente, no entanto, pode-se ainda ver os pescadores vendendo seus produtos diretamente à população. Caminhe uns trezentos metros beirando o rio, até ultrapassar a grande feira que foi construída bem ao lado do Mercado Municipal, para atender às necessidades de uma população de um milhão e meio de habitantes. Toda essa área, de urbanização recente, faz parte do programa "MANAUS MODERNA", que vem sendo desenvolvido pelos Governos Estadual e Municipal,
À esquerda, mais distante, do outro lado do "igarapé" , vê-se o Bairro de Educandos.
Ao chegar próximo ao novo mercado, mais ou menos na altura do " Portão F", atravesse a rua em direção à chamada "feira da banana", que oferece os mais variados tipos de bananas, desde as pequenas do tipo " baié" até as enormes " pacovão", que - cozidas - são muito apreciadas pelo manauara,
Suba a Rua Pedro Botelho, Existe uma belíssima casa na esquina com a Rua Miranda Leão.
Atravesse a Rua dos Andradas e, logo após o Hotel Dona Joana, atente para um espetacular conjunto de três casas, no mesmo estilo arquitetônico, datadas de 1905 e pintadas singularmente em cores variadas. A construção do meio foi curiosamente pintada metade de rosa e branco e metade de amarelo e verde, Até mesmo a estátua do anjinho, na parte superior do prédio, acima do medalhão com a data de 1905, foi pintada metade de uma e metade de outra cor.
Caminhe até o fim da rua e dobre à direita, na Rua Quintino Bocaiúva e, logo após o posto de gasolina, prossiga até a Rua Izabel. À direita, existe uma belíssima casa, hoje abandonada. Logo à frente vê-se a Ponte de Educandos, de onde se pode desfrutar de maravilhoso panorama, que engloba o "igarapé" e as casas tipo "palafitas" do Bairro de Educandos, os barcos regionais e o Centro de Artes Chaminé.
Volte até a Rua Izabel e agora caminhe cerca de cem metros até o Centro de Artes Chaminé.





 O CENTRO DE ARTES CHAMINÉ

O prédio, construído em 1910, na fase áurea da borracha, destinava-se a ser a estação de tratamento dos esgotos da cidade e fazia parte do patrimônio da firma inglesa " MANAOS IMPROVEMENTS LTD. COMPANY", concessionária dos serviços de água e saneamento, que se tornou mais tarde responsável por uma das mais dramáticas páginas da história de Manaus.
Em 1913, forçada a pagar preços exorbitantes pelo fornecimento de água e saneamento, a população manauara recusou-se a quitar as contas apresentadas pelos ingleses da Manaos Improvements.
Os fornecedores, sentindo-se prejudicados, imediatamente reagiram ordenando o corte de água de todos que se encontravam em débito.
A partir desse momento deflagra-se toda uma onda de violência, que se agrava quando a população nega-se a permitir o ingresso dos empregados da Manaos Improvements em seus lares, para os procedimentos de corte.
Diante da resistência a empresa exige providências às autoridades constituídas e o governador Jonathas Pedrosa ordena a intervenção de tropas militares.
Mas os militares, que também eram vítimas da mesma situação, vez que também pagavam taxas absurdas pelos serviços de água e esgoto, recusam-se a cumprir as ordens, gerando a rebelião.
O quartel militar (bela construção ainda hoje existente na Praça da Polícia) é invadido pelos soldados, depois que um deles é alvejado a tiros por um capitão.
O povo enfurecido sai às ruas depredando os prédios dos jornais governistas e destrói inteiramente os escritórios da Manaos Improvements.
O governo reage mais violentamente - bombardeia o reduto dos rebelados e executa os rebeldes aquartelados. A cidade inteira vivência o terror, que culmina com a depredação dos jornais oposicionistas e com o espancamento de cidadãos.
O acontecimento ganhou repercussão nacional e a Manaos Improvements decide encerrar as suas atividades em Manaus, não sem a cobrança de polpuda indenização, no valor de dez mil e quinhentos contos de réis, como indenização pelos seus prejuízos.

Em 1926 o patrimônio da Manaus Improvements passa a ser administrado pelo Governo do Amazonas. O prédio ficou abandonado durante várias décadas, até sua recuperação já nos anos 90, para abrigar a Pinacoteca do Estado.
Além de exposições artísticas temporárias e de atividades culturais diversas, o Centro de Artes Chaminé inclui em seu acervo um grande número de artistas regionais e promove atividades teatrais e musicais (clássico e popular), ateliês de dança, fotografia, pintura, capoeira, etc..
O prédio de um único pavimento tem um corpo central e dois corpos laterais salientes, sendo que uma das características da construção é o grande número de portas e janelas.
No corpo central as janelas são de verga reta e nas laterais são de arco pleno, com um óculo na parte central.


Os horários de funcionamento são flexíveis e dependem das próprias atividades que estiverem acontecendo no local.
Na saída do Centro de Artes Chaminé dobre à direita na Rua Izabel.
Logo à esquerda, na Rua José Paranaguá, há uns 50 metros encontra-se o Grupo Escolar José Paranaguá, construído em 1895, na administração do governador Eduardo Ribeiro, conforme atestam as placas localizadas na fachada do prédio - " Administração de Eduardo Ribeiro - Escola Pública - 1895", Trata-se de uma edificação simples, porém elegante, que revela a preocupação do governante para com o sistema público de ensino.
Na mesma rua veem-se várias moradias do início do século.
Atravesse a Rua Dr. Almínio e continue na Rua José Paranaguá. As construções de n°s 405 e 430 (onde funciona um hotel) são muito interessantes.
Dobre a esquina, na Av. Joaquim Nabuco.
No n° 472 localiza-se uma bela casa, que - em ruínas pelo abandono - exibe traços burgueses. Mais à frente, no n° 403, vê-se um prédio muito interessante datado de 1 91 3. Atravesse a Rua Quintino Bocaiúva para admirar o prédio localizado no n° 347 (onde funciona uma pensão), construído em 1904 e em bom estado de preservação, que mostra em sua fachada um vistoso relevo com um casal de pássaros, folhagens, flores e figuras entrelaçadas.
Mais ao longe, no n° 336, observa-se um belíssimo casarão revestido  com azulejos, com uma sacada em ferro forjado e balaustrada com seis estátuas femininas. Nota-se, ainda, cinco janelas de arco pleno acima de cinco óculos octogonais. No alto e laterais do portão  de entrada vê-se decorativas pinhas em pedra. Este prédio hoje abriga o Grupo Escolar Nilo Peçanha.
Na mesma calçada, à esquina com a Rua dos Andradas, situa-se o Palacete dos Nery.



O PALACETE DOS NERY

O prédio, de aspecto neoclássico, data de 1901. A fachada foi conservada até os nossos dias mais ou menos em sua feição original, com grandes janelas de púlpito com vergas retas, três delas com frontão triangular, cornija, um grande frontão e balaustrada. Na época da borracha a edificação era adornada por belos jardins. A Família Nery contribuiu para o Estado do Amazonas com vários políticos famosos, inclusive governadores.
Dobre à direita na Rua dos Andradas.
Muitas edificações interessantes poderão ser observadas, datadas do início do século, especialmente aquelas localizadas nos n°s 373 e 354, e - ainda - as casas de n°s 361 , 355, 351 e 347, que formam um conjunto arquitetônico similar.
Vire agora na Rua Leovegildo Coelho e, beirando a igreja, siga até a Praça dos Remédios.


 A PRAÇA NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

É uma das mais antigas praças de Manaus. Na época da borracha era calçada em calcário de Lisboa e possuía um belo chafariz. Na forma atual ela data de 1 899.
Ao redor vários prédios notáveis podem ser admirados.

 A IGREJA NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

A Igreja de N. S. dos Remédios foi construída em cima de um antigo cemitério indígena. Sabe-se historicamente, inclusive, que um dos traços marcantes do comportamento dos povos dominadores era o de ocupar os chamados lugares " mágicos" dos povos nativos, como forma de impor a sua hegemonia.
Uma capela, construída no mesmo local, no início do século XIX, teria dado lugar a essa igreja.
A igreja atual, em estilo neoclássico, com influência do renascentismo italiano, foi construída no início do século e teve sua planta elaborada pelo italiano Filintho Santoro, que também concebeu a fachada do Mercado Municipal, A edificação possui dois pavimentos e uma fachada dividida em cinco seções por pilares quadrados com capitéis . A porta central é de arco pleno. No primeiro andar vê-se uma janela também de arco pleno com vitral em forma de cruz. Acima da cornija pode-se ver um frontão triangular, Na parte superior nota-se uma torre com sineiro coberta por uma cúpula.
Na esquina das ruas Miranda Leão e Cel. Sérgio Pessoa, no canto da praça, ergue-se a Faculdade de Direito.


A FACULDADE DE DIREITO

Fundada em 1909, pelo jurista Dr. Astrolábio Passos, é uma das mais antigas do Brasil. A construção, em estilo eclético, data da época da borracha e foi originalmente construída com um só pavimento. Hoje com dois pisos o prédio está dividido em três corpos, sendo que o  central é recuado e adornado com escadaria. Um frontão curvo coroa a cornija e nos corpos laterais veem-se janelas centrais seguidas de janelas de vergas retas, A Faculdade de Direito vincula-se à Universidade do Amazonas.
Desça pela mesma calçada cerca de quinze metros até o n° 1 1 5 da Rua Sérgio Pessoa, onde localiza-se um belíssimo casarão do início do século, em aprazível varanda e vitrais coloridos. Sobressai uma bela sacada, adornada por janelas em estilo gótico e balaustrada com vasos.
Ao redor da praça, especialmente pela manhã, existem sempre numerosos veículos de carga (caminhões e caminhonetes) que aceitam frete e fazem carretos para todos os lugares da cidade, aproveitando o grande movimento do vizinho Mercado Municipal.
Desça até a Rua dos Barés em retorno ao ponto do início da caminhada.
Existem às proximidades várias casas interessantes, como aquelas de n°s 135 e 121 e, ainda, a de n° 107, com azulejos, bem em frente ao portão do mercado.
No n° 115 a construção é recente, mas chama a atenção a informação à fachada indicando que o estabelecimento comercial ali existente foi fundado ainda em 1915.
Na Rua Tabelião Pessoa, ao lado do mercado, muitas construções singulares podem também ser vistas.
Ao término da caminhada não deixe de visitar a casa de n° 39, na Rua dos Barés, onde funciona uma loja de ferragem. Trata-se de um prédio em estilo neo  gótico muito parecido com aquele localizado à Praça Oswaldo Cruz, onde funcionava a firma inglesa Manaos Tramways & Light.
Todas as artérias que circundam o Mercado Municipal são predominantemente comerciais, caracterizadas por um sem-número de estabelecimentos que trabalham ìntensamente com a população interiorana.
Vale a pena entrar em certas lojas para ver, por exemplo, o material tipicamente amazônico utilizado na fabricação da farinha de mandioca (item indispensável nas mesas amazonenses), especialmente o grande tacho usado na torrefação do produto. Lojas vendem redes para dormir de todos os tipos, mosquiteiros, artigos para pesca, ferragens, louça e utensílios domésticos, etc., tudo muito bem dirigido ao consumidor ribeirinho.


“CAMINHANDO POR MANAUS” – O CENTRO HISTÓRICO – PARTE III


APRESENTAÇÃO

Este livreto não se propõe a ser um documento de registro histórico, mas sim um instrumento de efetiva utilidade para o turista mais exigente e minucioso, que deseje conhecer Manaus mais intimamente, percorrendo a pé seus becos, ruas e avenidas.  São ao todo cinco roteiros, cuidadosamente elaborados por Thérèse Aubreton - uma francesa residente em Manaus e radicada no Brasil há anos, professora de história e agente de viagens. Seus olhos e caneta captaram e registraram tudo o que aqui pode ser desfrutado. A pesquisadora não se limitou a consultar livros e documentos. Os cinco roteiros a pé foram atentamente feitos e refeitos, tendo sido anotados cada detalhe pitoresco, cada aspecto curioso. Aspectos relevantes da nossa história, arquitetura, hábitos e costumes, regionalismos, etc., foram registrados. A Sra. Aubreton foi até mesmo à França, com o objetivo de estudar, comparar e comprovar semelhanças e dados, fundamentando melhor ainda aquilo que a FUMTUR  lhe havia encomendado. O resultado está aí, para o conforto e melhor aproveitamento da estada de nossos turistas. Esta publicação da Prefeitura de Manaus, através da Fundação Municipal de Turismo - FUMTUR,  pretende ser o início de outros relatos e registros para uso turístico.
Manaus, Agosto, 1996

ROTEIRO 3


 PRAÇA DOM PEDRO II

A Praça Dom Pedro II é um harmonioso conjunto  arquitetônico, que antigamente se chamou "Largo do Pelourinho" e depois "Praça da República" (na época da Proclamação).  Construída em  plena época da borracha 1893/1894), durante a administração do Governador Eduardo Ribeiro ("O Pensador"), era a mais importante praça da cidade e ponto de encontro da sociedade manauara, que se deleitava passeando pelos seus jardins.


 CHALET DE FERRO

Observe-se o belo coreto de ferro (chamado de "chalet de ferro" pelos habitantes do bairro), fabricado pela firma inglesa Francis Morton & Co. Ltd. Eng. Liverpool, de acordo com a inscrição localizada na base quadrada das colunas.
Em estilo simples, foi edificado sobre uma base octogonal de alvenaria maciça. As grades do parapeito apresentam círculos e elipses com flores estilizadas. Oito esbeltas colunas sustentam o teto, que - no início do século - era beirado por lambrequins,  que infelizmente não existem mais. As colunas sustentam, ainda, arcos decorados muito elegantes, com rendilhado em ferro. O teto é formado por lâminas de ferro galvanizado. Aí, nos finais de tarde, geralmente aos domingos, tocava a banda do regimento militar.
Próximo ao coreto e datando da mesma época vê-se a .. .


FONTE DE BRONZE

A fonte é muito rica em detalhes, que devem ser cuidadosamente observados de perto. A base de alvenaria divide-se em quatro partes, por elementos de bronze pintados de verde. Em cada ângulo do conjunto vê-se graciosos meninos com cara de anjinho, segurando ânforas que antigamente jorravam água. Entre cada menino, acima de grandes conchas, vê-se casais de seres do mar segurando tridentes. Mais acima, uma grande bacia de bronze recebe as águas vertidas através das bocas de máscaras antigas, que lembram gárgulas. A parte superior da fonte mostra quatro musas sentadas, cada uma segurando objetos (lira, pergaminho, tridente, etc.). Note-se especialmente aquela que segura uma prancheta, em que se vê gravado o pertil de um homem. No topo da fonte observa-se outra bacia e quatro golfinhos de bronze artisticamente segurando um globo.


A Praça Dom Pedro II, hoje um local sossegado, onde os  aposentados reúnem-se para jogar dominó, foi outrora palco de eletrizantes acontecimentos. Era exatamente ao seu redor que  concentravam-se os teatros, bares, cabarés, cafés e edifícios públicos, tão assiduamente frequentados pelas pessoas mais ricas e importantes da cidade. No canto da praça, bem na esquina com a Rua Governador Vitório, vê se a estrutura da fachada do prédio do antigo Hotel Cassina, em cor avermelhada, durante muitos  anos ameaçada de destruição, mas nos dias de hoje já contida pelo Patrimônio Municipal.


 HOTEL CASSINA

De propriedade do comerciante italiano Andréa Cassina, foi construído em 1899 e durante anos foi hotel de 1° classe, que hospedava ricos comerciantes e atores teatrais famosos, de passagem por Manaus, vindos do sul do país ou do exterior. Conta-se, inclusive, que o brilhante escritor Coelho Neto ali teria se hospedado quando de estada em Manaus. O prédio compõe-se de dois pavimentos, com alguns elementos simples de decoração acima dos arcos rebatidos das janelas e das portas. No 2° pavimento observa-se uma pequena sacada com parapeito de ferro forjado. A Prefeitura de Manaus planeja restaura-lo para devolvê-lo à comunidade em toda a sua beleza do início do século, mas pertence ainda, a uma família local. A história do Amazonas da época da borracha está muito ligada ao jogo e o Hotel Cassina, com toda a certeza, foi palco de grandes apostas e muita diversão.


Com a crise dos anos 20 e 30 e o consequente empobrecimento das populações o hotel pouco a pouco transformou-se em pensão e cabaré. Havia dança no térreo e jogo no
1° andar. Nos anos 40 decai mais ainda tornando-se lugar de prostituição e encerra as suas atividades nos anos 50. Desde então abandonado, hoje ainda é conhecido como Cabaré Chinelo, em decorrência da decadência que caracterizou seus últimos anos de boêmia. O prédio, em ruínas, e propriedade de uma família local.
Siga pela mesma calçada até a Rua Bernardo Ramos. Vê-se agora o prédio onde funciona o Arquivo Público do Estado do Amazonas, criado em 1852 e regulamentado em 1897, que possui vasto acervo, inclusive com manuscritos da época da Província, e documentos oriundos da administração pública estadual. A edificação perdeu sua originalidade em decorrência das muitas transformações sofridas.
Ao fundo da Praça Dom Pedro II, na Rua Gabriel Salgado, ergue-se o prédio da Prefeitura Municipal de Manaus.


O PRÉDIO DA PREFEITURA

Conhecido como "Paço Municipal", seu verdadeiro nome é "Paço da Liberdade", sua construção foi iniciada em 1874. Em 1879 ele passa a abrigar a sede do Governo Provincial e, posteriormente, com a Proclamação da República, passa a ser utilizado como Administração do Governo Republicano. Novamente, em 1917, começa a sediar o Governo Municipal, quando o Governo do Estado instala-se no Palácio Rio Negro.
A fachada é um dos primeiros exemplos de arquitetura neoclássica em Manaus. O edifício tem um só pavimento, subdividido em três seções. A parte central é composta por um pórtico com duas colunas e duas pilastras em estilo toscano, que suportam um entablamento simples, com um frontão triangular vazado por um óculo, onde foi colocado o escudo da municipalidade de Manaus. Nas laterais observam-se três janelas - a do centro com frontão triangular e as duas outras com frontões curvos. No Salão Nobre nota-se o teto com motivos amazônicos trabalhados em estuque e nas paredes encontram-se expostos quadros retratando a grande maioria dos prefeitos e antigos superintendentes municipais. O prédio também abriga duas valiosas telas - uma do Imperador D. Pedro II (de autoria do artista Aurélio Figueiredo); e outra da Princesa Isabel, assinando a Lei Áurea (que libertou os escravos no Brasil), lamentavelmente mutilada por vândalos. Encontra-se, ainda, uma bela peça em madeira entalhada, que data do século XIX, lavrada em folhas de louro e encimada por doís anjos, que sustenta o escudo com as armas da cidade. Várias reformas foram realizadas desde o início do século.


O PALÁCIO RIO BRANCO

Na esquina da Av. Sete de Setembro com a Rua Taqueirinha, situa-se o Palácio Rio Branco, atual sede do Poder Legislativo do Estado, Trata-se de prédio em estilo eclético, construído entre os anos de 1905 e  1938, formado de dois pavimentos e apresentando três seções. O corpo central é ligeiramente proeminente, com um pórtico, com numerosos elementos de decoração na fachada (desenhos geométricos, balaustradas de mármore nas janelas, etc.), Na frente, duas estátuas de bronze representam elegantes mulheres segurando um globo, No interior, impressionam o teto de estuque e uma bela escada de ferro. Durante algum tempo o prédio abrigou o Museu de Numismática do Amazonas, que hoje está sediado na Praça da Polícia. Percorra agora a Av. Sete de Setembro (entre os prédios da Prefeitura e da Assembleia) e caminhe até o seu final. No n° 188 existe uma casa bastante interessante. Note a belíssima vista do Igarapé de São Vicente, Volte cerca de 50 m, e dobre à esquerda. Entre na Rua Bernardo Ramos, antiga Rua São Vicente, que é uma das mais antigas de Manaus. Dobre novamente à esquerda a caminhe até o final da rua, onde se situa o prédio da Ilha de São Vicente.


 O PRÉDIO DA ILHA DE SÃO VICENTE

Edificado em estilo colonial, com linhas simples e sem muitos ornamentos, tem fachada de paredes espessas, com portas em arco pleno e molduras imitando cantaria. A parte central mostra um tipo de frontão, com acabamento de ameias e com a estrela da República ao centro. Não se sabe com exatidão a época em que o prédio foi construído. No entanto, certamente deve ter sido antes de 1852, vez que a planta da cidade, nessa época, já exibia o edifício naquele lugar. Desde 1857 o prédio passa a ser conhecido como "Enfermaria Militar". Hoje pertence à Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental. Os guardas do local, caso possível, permitirão a entrada para fotografias.
Por detrás do prédio pode-se ter uma vista bastante interessante do Rio Negro, com barcos ancorados ao longo das margens e, mais ao longe, as pitorescas casas tipo "palafitas" do Bairro de São Raimundo.
Observe atentamente, ao lado do prédio, a existência de uma árvore caída que brotou curiosamente em vários lugares diferentes.
Saia da Ilha de São Vicente e retorne à Rua Bernardo Ramos ... Ela surpreende pela beleza de suas numerosas casas, especialmente aquelas mais antigas que datam do final do século XIX e início do século XX.
As casas de n°s 57, 61 e 69, à esquerda, são particularmente notáveis.
à direita veem se as casas de n°s 60 e 66, que datam de 1908.

A CASA MAIS ANTIGA DE MANAUS

Siga em frente até a casinha verde de n° 77. Em estilo colonial, datada de 1819, trata-se da mais antiga casa de Manaus, hoje em estado precário de conservação.
Foi a residência do vereador José Casimiro Prado, que ajudou a construir o 1° teatro da cidade, onde atualmente funciona a Capitania dos Portos, próximo ao Mercado Municipal.
Daqui pode ver-se belo casarão de dois pavimentos, construído na época da borracha e, ainda, do outro lado da rua (no n° 98) bela casa que durante algum tempo sediou a Fundação Municipal de Turismo (FUMTUR),
Ande agora até o n° 117, onde funciona o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.


 O INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS

Fundado em 1917 o I,G.H,A. possui preciosidades históricas do Brasil e do Amazonas em seu acervo.
A casa, que ostenta portas em arco pleno no térreo e  simples janelas com parapeitos no 2° pavimento, tem o nome de Bernardo Ramos, que jamais morou ali. Trata-se de uma sociedade civil privada, sem fins lucrativos, voltada ao estudo da Geografia, Arqueologia, Antropologia, e Sociologia do Amazonas, que reúne intelectuais das mais diversas tendências. Possui museu, biblioteca, hemeroteca, objetos diversos e fotografias de Manaus antiga. Em 1934 o museu incorporou ao seu acervo grande coleção de trabalhos indígenas catalogados pelo etnólogo Crisanto Jobim (o museu é conhecido pelo mesmo nome).


Podem ser vistos objetos de inestimável importância arqueológica e etnográfica, como por exemplo; peças de armamento da guerra do Acre, animais empalhados, couros e crânios de animais da região, coleções de borboletas, cerâmicas e armas indígenas, material de pesca, cestaria, tangas, arte plumária, colares, máscaras, vestuários, urnas funerárias, amuletos ("muiraquitãs"), machados de pedras, etc.
Continuando a caminhada note a elegância dos belos lampiões antigos.
Do outro lado da rua vê-se o imponente prédio azul da Loja Maçônica Esperança e Porvir.


A LOJA MAÇÔNICA "ESPERANÇA E PORVIR"

A loja foi fundada em 1872 por 27 maçons iniciados em outros Estados. Várias personalidades importantes da vida nacional e local iniciaram-se nessa casa, como por exemplo o Marechal Floriano Peixoto, que foi o 1 ° Presidente da República, o Governador Eduardo Ribeiro e vários outros Governadores amazonenses - Silvério Nery, Constantino Nery, Antonio Bittencourt, etc.
Mais ao longe, próximo à Prefeitura, funcionava na época da borracha uma cocheira, isto é, um abrigo para cavalos.
Caminhe até a Praça D. Pedro II e dobre à esquerda para chegar à Rua Frei José dos Inocentes ...
Antiga "Rua Independência", ela ainda guarda algumas casas antigas, em um ambiente tranquilo longe da agitação do Centro. Chamou-se também de "Rua do Trem", porque certa época abrigou um depósito do exército, Pode-se observar várias casas antigas, de linhas muito singelas, e bela vista dos fundos do prédio do I.G.H,A.
Caminhe até o fim da rua para desfrutar de sensacional vista do prédio da Cervejaria Miranda Correia, ao longe, na outra margem do igarapé.


 A CERVEJARIA "MIRANDA CORREIA"

A cervejaria, fundada em 1910, localizada às proximidades da antiga usina elétrica, fabricava a cerveja XPTO, famosíssima na época, e - ainda - uma cerveja escura chamada Ouro Sobre Azul. Possuiu os primeiros elevadores de que se tem notícia na cidade e que funcionaram há alguns anos. Em seu interior possuía salões suntuosos, inaugurados magnificamente pelo Presidente Washington Luiz, que receberam artistas famosos, políticos e visitantes ilustres. O estilo da construção lembra muito mais um castelinho medieval do que propriamente um prédio industrial. O prédio hoje é ocupado pela Cervejaria BRAHMA.


 A ILUMINAÇÃO PÚBLICA

A iluminação pública em Manaus, feita com naphata, foi
inaugurada em 1896. Entre os anos de 1898 e 1908 o serviço
foi desempenhado pela firma inglesa Manaus Electric Lighting company.

Volte pela Rua Frei José dos Inocentes até a Rua Governador Vitório, A última casa à esquerda, pintada de cor-de-rosa, data de 1904. Daí vê-se a parfe de trás do antigo Hotel Cassina.
Nosso roteiro termina onde começou, na Praça Dom Pedro II.



"CAMINHANDO POR MANAUS" - O CENTRO HISTÓRICO - PARTE II


APRESENTAÇÃO

Este livreto não se propõe a ser um documento de registro histórico, mas sim um instrumento de efetiva utilidade para o turista mais exigente e minucioso, que deseje conhecer Manaus mais intimamente, percorrendo a pé seus becos, ruas e avenidas.  São ao todo cinco roteiros, cuidadosamente elaborados por Thérèse Aubreton - uma francesa residente em Manaus e radicada no Brasil há anos, professora de história e agente de viagens. Seus olhos e caneta captaram e registraram tudo o que aqui pode ser desfrutado. A pesquisadora não se limitou a consultar livros e documentos. Os cinco roteiros a pé foram atentamente feitos e refeitos, tendo sido anotados cada detalhe pitoresco, cada aspecto curioso. Aspectos relevantes da nossa história, arquitetura, hábitos e costumes, regionalismos, etc., foram registrados. A Sra. Aubreton foi até mesmo à França, com o objetivo de estudar, comparar e comprovar semelhanças e dados, fundamentando melhor ainda aquilo que a FUMTUR  lhe havia encomendado. O resultado está aí, para o conforto e melhor aproveitamento da estada de nossos turistas. Esta publicação da Prefeitura de Manaus, através da Fundação Municipal de Turismo - FUMTUR,  pretende ser o início de outros relatos e registros para uso turístico.
Manaus, Agosto, 1996

ROTEIRO 2

A Praça da Matriz,  se localiza exatamente no centro da área comercial mais antiga de Manaus. Desde 1864 a praça teve diferentes nomes e passou por várias reformas e embelezamentos.

Exatamente no centro da praça ergue-se, imponente, a Catedral de Manaus, erguida em homenagem a N. S. da Conceição, a Padroeira do Estado do Amazonas.


A CATEDRAL DE MANAUS
Data de 1695 a construção da primeira igrejinha, edificada no mesmo sítio, em madeira e palha, obra dos religiosos carmelitas que chegaram à aldeia de São José do Rio Negro (hoje Manaus), após a edificação do forte pelos portugueses, em 1669.
Demolida no final do século XVIII pelo estado precário em que se encontrava dá lugar a uma nova edificação, que também desaparece em incêndio ocorrido pelos idos de 1850.
Em 1858 é lançada a pedra fundamental da nova igreja, mas 20 anos foram gastos até a sua conclusão. Devido à falta de material de construção (pedra, especialmente) e mão de obra especializada, arrasta-se lentamente a construção do novo edifício. O andamento das obras é ainda prejudicado pela ausência de recursos, que levam à criação de uma loteria, em 1865, com o objetivo de angariar fundos para a aceleração dos trabalhos. Os recursos obtidos, todavia, são insuficientes.




A Catedral de N. S. da Conceição, em estilo neoclássico, é a primeira grande obra arquitetônica erguida em Manaus. Sua fachada divide-se em dois andares, com predominância de linhas retas e poucos elementos ornamentais, destacando-se um frontão triangular,  com nicho para a estátua, acima de três portas em arco pleno e dois campanários, com cobertura em cúpula e arremate em forma de lanterna. Os seis sinos, vindos de Portugal, foram instalados em 1875.
Na entrada  observa-se duas pias de pedra (receptáculos da água benta) sobre pedestal. Acima, a abóbada da nave, muito simples, fabricada em madeira branca; e na galeria  superior , também simples, mostram-se uma balaustrada de madeira e medalhões pintados. À direita, vê-se o mausoléu de mármore onde estão guardados os restos fúnebres do primeiro bispo de Manaus, Dom José Lourenço da Costa Aguiar, falecido em 1905, em Lisboa. À esquerda situa-se belo e sóbrio batistério, em mármore, obra do francês Joseph Gaune, terminado em 1874, Ao lado esquerdo do transcepto observa-se medalhão pintado com o escudo de Manaus, altar em pedra de Lioz e capela dedicada a Jesus Cristo. Do outro lado nota-se um medalhão com pintura alusiva ao centenário da criação da congregação do Coração de Maria, no Amazonas, altar em pedra de Lioz e capela dedicada à Virgem Maria. O altar da Capela Mor, em mármore, executado em 1 874, é - como o batistério - também obra artística de Joseph Gaune.
Adentrando-se à nave pode-se  ver dois elegantes púlpitos esculpidos frente a frente. Trata-se de peças que não são utilizadas, talvez pela falta de escadas de acesso.
o coroamento do altar ergue-se singela escultura de N.S, da Conceição, ladeada por dois anjos; e no retabulo, ainda, destaca-se uma estatueta da Virgem Maria.
Surpreendentemente interessantes, as pinturas existentes no coro da Catedral impressionam pela sua modernidade. No teto, vê-se a coroação de Nossa Senhora, de inspiração barroca. Nas laterais várias representações (no meio de anjos e nuvens) da Virgem Maria e da história das missões na Amazônia, especialmente em Manaus. Ao lado direito, observa-se uma belíssima representação da primeira aldeia que existiu nessa região, simbolizada - na imaginação do pintor - por uma fortificação portuguesa repartindo espaço com a primeira igrejinha de palha e o elemento indígena dominante. Ao lado esquerdo, vê-se quadro retratando a própria igreja matriz tendo à frente secular  chafariz , ainda hoje existente . O chão é todo revestido em ladrilhos de pedra imitando mármore, importados da Europa. A história da catedral é toda assinalada por grandes dificuldades, especialmente aquelas relacionadas à ausência de recursos. Quase acabada, por exemplo, a obra não pôde ser inaugurada pela falta de fundos para a compra dos materiais litúrgicos. Finalmente, em 1878, a catedral é benta e inaugurada.

Saia da igreja e desça as escadas localizadas na parte frontal do prédio. As duas escadas, juntas, formam um conjunto interessante, que sugere distintamente a forma de uma lira. Durante muitos anos o local situado na frente da catedral, entre as escadas, era caracterizado por jardins e exuberante vegetação. Hoje, no mesmo lugar, existe um centro recreativo pertencente à própria igreja.


O CHAFARIZ

À sua frente ergue-se belíssimo chafariz, executado em ferro fundido pela Firma Sun Foundry, de Glasgow, conforme atestam as inscrições em várias de suas peças. O chafariz compõe-se de grande bacia hexagonal, originalmente adornada por seis esculturas (três  meninos sentados segurando espadas e três meninos em pé carregando cântaros), distribuídas em cada vértice. Lamentavelmente, quatro das seis esculturas perderam-se durante as várias reformas realizadas, ao longo dos anos. À frente de cada uma das que restam vê-se a escultura de um cisne e a identificação do fabricante. No piso da bacia hexagonal notam-se fontes ladeadas por esculturas de meninos. Bem ao meio da bacia eleva-se uma base quadrangular, que assenta o corpo principal do chafariz. Notam-se esculturas de ferro de meninos carregando bacias, dispostas em cada ângulo. Embaixo de cada menino existem delicadas esculturas de cobras surgindo da vegetação entre duas colunas. Vê-se esculpidas interessantes representações de Netuno simetricamente dispostas por dentre bucólica folhagem. O monumento tem como base um grupo de doze anjinhos dançando e, coroando a beleza do conjunto, uma bela estátua de Vênus, em trajes antigos, equilibrando um vaso à cabeça, acompanhada por quatro tocadores de trombetas. A base superior da bacia mostra alto relevo com cobras no meio de luxuriante vegetação.
Em 1995, com a reforma do chafariz, construiu-se uma cerca de proteção para impedir a depredação.


O RELÓGIO MUNICIPAL

Do outro lado da praça, na Av. Eduardo Ribeiro, situa-se o pitoresco Relógio Municipal. O mecanismo do relógio foi importado da Suíça e montado, em base de pedra, pela firma local Pelosi & Roberti. Muito eficiente até os dias de hoje, o som que produz à cada hora é cativante. Os manauaras o chamam às vezes de Big Ben, em alusão ao famoso relógio inglês, devido ao som que produz.
À esquerda observe o prédio dos Correios, construído na época áurea da borracha, O prédio foi internamente modernizado, em 1985, após o incêndio havido em 1982, Entretanto, sua fachada - recoberta de tijolos envernizados em diversas cores - teve seu estilo e arquitetura preservados. Nota-se a presença de quatro pavimentos e, na parte superior, vê-se elegante balaustrada, Desde 1921 a construção abriga os Correios.


O prédio dos Correios é um feliz exemplo de respeito ao patrimônio artístico-cultural da cidade. Lamentavelmente, no transcurso dos anos, muitas edificações foram descaracterizadas e/ou demolidas. Nos dias atuais, com o esclarecimento e conscientização das autoridades e da população, cresce a preocupação com a preservação do passado da cidade e aumentam os cuidados com a manutenção dos prédios antigos.


Na avenida existem outras edificações muito interessantes e que datam da mesma época.
Caminhe, agora, em direção ao porto. No mesmo calçadão vê-se o monumento (um simples obelisco) que registra o primeiro centenário da elevação da Vila da Barra do Rio Negro (depois Manaus) à categoria de Cidade, em 1848. No dia 24 de outubro é feriado em Manaus porque comemora-se o aniversário da cidade.
Atravesse a rua em direção à entrada do porto, À esquerda vê-se o belíssimo prédio da Alfândega.


O PRÉDIO DA ALFÂNDEGA

O prédio da Alfândega, de origem inglesa, inaugurado em 1906, é considerado o primeiro prédio pré-fabricado do mundo. Foi trazido em blocos, pronto para ser montado, nos porões dos barcos britânicos que aportavam em Manaus. Seu estilo é eclético, com elementos medievalistas e renascentistas. A fachada possui três pavimentos, cada um menor que o inferior, até o terceiro que se assemelha a um sótão. No térreo existe uma grande porta em arco pleno; no segundo andar janelas unidas por colunas; e no terceiro piso envasaduras com arcos rebatidos. No frontão retangular, na frente do prédio, lê-se a inscrição "Alfândega", coroada com ameias e com a estrela republicana.



A torre, com farol (hoje desativado), orientava os navios que chegavam e partiam de Manaus.
O conjunto ainda funciona como sede da fiscalização da Alfândega.
Entre no Porto de Manaus e caminhe até a ponte flutuante. Antes de descer observe, cuidadosamente, a Tabela das Enchentes.

A TABELA DAS ENCHENTES

Localizada à direita do complexo, a tabela foi confeccionada em liga metálica anticorrosiva e registra, desde 1904, os níveis mais altos atingidos pelas águas do Rio Negro. O ano de 1953 destaca-se como aquele em que a enchente tomou drásticas proporções, submergindo - inclusive - áreas comerciais e residenciais da cidade, que se localizavam mais próximas das margens do rio, Na época, construíram-se pontes improvisadas e pela primeira vez fez-se uso de canoas para percorrer trechos alagados em plena área urbana. Outras enchentes rigorosas aconteceram em 1922, 1976 e 1989.
Dirija-se à ponte para avistar de forma panorâmica os Cais Flutuantes.


O PORTO DE MANAUS

Muitos anos se passaram antes que Manaus, rica em  borracha , pudesse ostentar um porto ao nível de seu comércio e poder. Até o final do século XIX eram grandes os problemas com a atracação das embarcações. Durante a época da cheia dos rios a operação era facilitada e rampas eram utilizadas para o embarque e desembarque de passageiros e cargas. Na vazante, todavia, os problemas eram substancialmente maiores os navios eram fundeados ao largo e a transferência de carga e passageiros era toda realizada em canoas.




Em 1902, finalmente, a firma B. Rymkiewicz ganhou a concorrência aberta pelo governo, O contrato garantia 60 anos de exploração do porto, mas rezava também que além da construção dos cais - a firma construiria um edifício para a administração da Alfândega (o prédio visto ainda há pouco, à entrada). Rymkiewicz rapidamente transferiu o contrato para a firma inglesa Manaos Harbour Ltd., que iria efetivamente construir o cais, pontes de acesso e tudo o mais. As obras se estenderam até 1912.
O porto foi então explorado pela Manaos Harbour Ltd. até 1963,  quando a firma declarou não mais poder satisfazer as exigências e obrigações contratuais, o que culminou com o cancelamento do acordo com o governo e transferência das responsabilidades à própria administração brasileira.
Findo o controle inglês nasce a Zona Franca de Manaus, em 1967, com o objetivo de promover o progresso regional, integrando Manaus comercial e industrialmente ao resto do Brasil e do mundo.

O CAIS  FLUTUANTES

Na época da construção os acessos ao Roadway (como até hoje são popularmente chamados os cais) eram cobertos com madeira. Durante anos foi ponto de encontro da sociedade manauara. Um pequeno trem de ferro, correndo sobre trilhos dispostos por todo o cais, agilizava as operações de embarque e desembarque de mercadorias.
Hoje, o Roadway está dividido em dois setores distintos.
Na parte esquerda atracam os chamados barcos de linha (os "recreios"), que são verdadeiros ônibus fluviais da Amazônia e que carregam passageiros e cargas para outros municípios e estados amazônicos.
Na parte direita do Roadway concentram-se os barcos particulares. Grandes ou pequenos, simples ou sofisticados, adaptados às viagens de um dia inteiro  ou vários dias, pertencentes geralmente às agências de turismo. Àqueles interessados em participar de passeios pelo rio sugerimos contatem somente as empresas cadastradas junto as autoridades do Estado. A Empresa Amazonense de Turismo (EMAMTUR) poderá fornecer pelo fone 633-2850 o nome e localização de um bom operador, devidamente credenciado. Pelo seu conforto e segurança evite sempre viajar em barcos clandestinos.
Do mesmo local onde se acham atracados os barcos de turismo pode-se ver, a uma certa distância, outra área do porto destinada somente a cargas e alfândega. Vê-se, ainda, mais ao longe, as casas tipo " palafitas" do Bairro de São Raimundo.
São poucos no mundo os cais flutuantes desse tipo. Em Sidney, na Austrália, existe uma construção parecida, que segue os movimentos da maré.
Ao lado do cais reservado ao Turismo tem-se uma vista interessante dos armazéns do porto. Alguns são de construção recente, mas um deles - coberto por placas metálicas, simulando pedra - sobressai: é o famoso Trapiche XV de Novembro.

TRAPICHE XV DE NOVEMBRO

Trata-se de um típico exemplo da arquitetura de ferro britânica do fim do século XIX. Coberto de telhas onduladas e com paredes de ferro imitando blocos de
pedra, provavelmente construído em 1893, o trapiche é anterior à construção do próprio porto.
Pelo lado oposto do armazém, onde se encontra a Praça Oswaldo Cruz, pode-se observar placa muito interessante em que se lê - "P & W MacLellan Ltd.", o que autentica sua procedência escocesa.


A Praça Oswaldo Cruz, que reúne prédios muitíssimo interessantes, era local dos mais movimentados na época da borracha, vez que o terminal dos bondes aí se encontrava. A primeira linha de bondes foi inaugurada em 1889 e, até 1939, os bondes eram os únicos meios de transporte público.



A casa em forma de "castelinho de comédia" , em estilo neo medieval, abrigava no início do século a famosa firma britânica MANAUS TRAMWAYS AND LIGHT. No meio da fachada, acima da janela do 2° pavimento, pode-se observar a escultura de uma cabeça de Mercúrio, deus romano do comércio. Embaixo de cada uma dessas janelas existem calhas, no formato de máscaras antigas, que canalizam a água das chuvas. Ameias coroam a construção, que lembra o castelo da Bela Adormecida.
Ergue-se ao lado bela casa, datada de 1900, com dois pavimentos, onde funcionou o Tribunal de Contas do Estado e que hoje abriga a "Casa do Pequeno Trabalhador". A edificação exibe amplas decorações na parte superior, com um rico frontão curvo ladeado por fina balaustrada de pedras.



Aproxime-se agora do prédio da esquina, à esquerda.
Trata-se de um casarão datado de 1894, com catorze janelas de frente e grande porta central, ladeado por doze portas - seis à esquerda e seis à direita.
Vire à direita e siga em frente pela Rua Monteiro de Souza.





Veja com atenção as casas onde atualmente funciona a Administração do Porto de Manaus. Destaca-se um grande prédio, pintado de cinza-azulado, construído entre
1887 e 1890. Certos detalhes lembram o renascimento italiano. No início do século abrigava o Tesouro Público. Importante este prédio situa-se exatamente no local onde foi construído o 1 ° forte da cidade, em 1669. Ao lado esquerdo do portão central lê-se a seguinte placa comemorativa:
"Neste local, em 1669, foi construída a fortaleza de São José da Barra, sob a inspiração do cabo de tropas Pedro da Costa Favela. Foram construtores o capitão Francisco da Mota Falcão e seu filho Manuel da Mota Siqueira. Desapareceu em ruínas no ano de 1850".
A fachada, que tem dois andares, recebeu tratamento com bossagem. No térreo vê-se uma grande porta central em arco rebatido, ladeada por janelas, em arco pleno. No 1° andar,  observa-se grandes janelas em arco quase reto, ligeiramente rebatido, e balcões com balaustrada. Uma larga balaustrada também coroa o prédio todo. Ao longo da fachada nota-se calhas metálicas com cabeça de leão na parte superior.
Continue percorrendo a mesma rua até a Travessa Vivaldo Lima, onde se situa ...



O MUSEU DO PORTO

Na época da Manaos Harbour Ltd. funcionava no prédio a casa de força que fornecia energia elétrica ao Porto. Eram utilizadas máquinas à vapor da marca "Carlton Dangel Lightning Arrester", com potência em torno de 350 a 550 watts, fabricadas pela firma americana " Electric Services Supplies Co." . Em 1945 as antigas máquinas foram substituídas por geradores à diesel fabricados pela " The English Electric Co." , e - finalmente - em 1977, o Porto passou a ser abastecido pela própria rede estadual de energia.
O prédio, em tijolos de aspecto maciço, no estilo característico da Revolução Industrial Inglesa, data de 1903 e exibe na fachada as letras M.H.L. (de Manaos Harbour Ltd.).


Inaugurado em 1985, o Museu do Porto distribui-se em 742 m2 de área útil e compõe-se de oito espaços distintos:

· a casa das máquinas - onde funciona a recepção, que exibe dois antigos geradores que forneciam energia elétrica ao Porto na década de 30;

· salas 1 e 2 - que contém a remontagem ambiental dos aspectos administrativos da Manaos Harbour, com mobiliário da época.

· salão - com exposição de painéis que mostram a evolução do Porfo, da sua criação até os dias atuais.

· sala 3 - apresentando uma reconstituição do ambiente de um escritório da Manaos Harbour.

· sala 4 - com espaço destinado a exposições temporárias.

· Mezanino - exibindo peças da famosa Casa de Aviamento J.G, Araújo, reconstruindo o ambiente de um armazém da época da borracha.
· Área externa - com exibição de peças pesadas (como âncoras) e uma pequena locomotiva que servia ao Porto.

Saia do Museu e dirija-se até o final da  Travessa Vivaldo Lima.
Dois prédios muito interessantes chamam a atenção.
Na esquina ergue-se belíssimo casarão de três andares, seguramente um dos mais belos de Manaus, onde funciona o ...
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E
ARTISTICO NACIONAL (IPHAN)
O 1 ° e 2° andares exibem cinco aberturas em arco pleno, sendo que as do 2° andar possuem molduras lindamente trabalhadas, com pequenas esculturas, No 3° andar, mais estreito, duas janelas de verga reta enquadram duas pequenas janelas gêmeas dominadas por um frontão curvo e por um óculo, Na beira do teto vê-se um lambrequim,  fino rendilhado de madeira recortada, muito em uso na Europa do início do século, especialmente nas regiões montanhosas.
Ao final da rua mostra-se o atual prédio da

DMINISTRAÇÃO DO PORTO DE MANAUS

Na época da Manaos Harbour Ltd. o edifício funcionava como residência do diretor. Em estilo eclético, construído pelos idos de 1907, ostenta maciça fachada, coberta em argamassa imitando blocos de pedra, belo portão adornado por duas pequenas janelas laterais e uma da parte superior, acompanhada de dois óculos e com uma varanda. Acima  observam-se seis aberturas de forma oval e, mais acima, longa balaustrada. De tão sólido o prédio, jamais se poderia imaginar tratar-se da moradia do diretor. Mais parecia uma fortaleza. Na lateral do prédio vê-se imponente portão tipo londrino e uma série de grandes janelas, que facilitam a entrada da luz do dia. No interior nota-se bela escada do início do século e azulejos decorados com motivos florais, também datando da época da construção.
Nosso passeio está terminando.
Para voltar ao ponto de partida basta caminhar em direção ao Museu e descer a Rua Tamandaré, lugar de botequins e várias casas antigas, até a Praça da Matriz. Caso deseje fazer agora o Roteiro 3 caminhe em sentido contrário, até a Praça Dom Pedro II.